Venâncio Mondlane rejeita os resultados das eleições gerais e exige os editais
O candidato presidencial, Venâncio Mondlane, rejeitou, na quinta-feira, “de forma liminar” os resultados das eleições gerais, que largamente atribuem à Frelimo e ao seu candidato, Daniel Chapo, a vitória, considerando que “não reflectem a vontade do povo”.
Num vídeo divulgado na rede social Facebook, Mondlane disse que “nós rejeitamos de forma liminar, de forma taxativa, estes resultados. São resultados tremendamente e absurdamente falsos, adulterados, mentirosos. Não são resultados que reflectem a vontade do povo”.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou a vitória de Daniel Chapo na eleição a Presidente da República, com 70,67 por cento dos votos, resultados que devem ser validados pelo Conselho Constitucional.
O presidente da CNE, Carlos Matsinhe, disse que Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frelimo, venceu com mais de 50 por cento dos votos em todos os círculos eleitorais, no total de 4.912.762 votos.
Venâncio Mondlane, apoiado pelo Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), ficou em segundo lugar, angariando 20,32 por cento, de 1.412.517 votos.
Ele desafiou a CNE e a Frelimo a provarem os resultados que dão a vitória a Chapo e ao partido, para o que deverão apresentar provas, neste caso, os editais das assembleias de voto.
Na declaração, criticou as forças de defesa e segurança, acusando-as de estarem a usar balas verdadeiras para reprimir os populares que contestam a vitória da Frelimo e apelou aos oficiais subalternos que detenham os comandantes, que lhes transmitem as ordens para disparar contra o povo.
O político vincou que “não aceitem ordens dos vossos comandantes. São orientações ilegais e criminosas”, evocando o que aconteceu em Portugal, na revolução do 25 de Abril de 1974, quando oficiais subalternos derrubaram o regime colonial português.
Por outro lado, Mondlane apelou à continuação dos protestos, pedindo para que sejam pacíficos e garantiu ainda que, hoje (sexta-feira), a contestação será maior.
“Vamos intensificar cada vez mais. Os bairros que não saíram na quinta-feira, vamos sair todos. Vamos para a rua, em todos os distritos, em todas as capitais provinciais”, prometendo que, na próxima semana, poderá começar a terceira de quatro fases de protestos, até à proclamação dos resultados pelo Conselho Constitucional.
Concluiu que a Frelimo “continua a usar a força para se manter no poder. Usa as forças de defesa e segurança, que disparam balas verdadeiras e estão a matar moçambicanos”.
Comentários
Postar um comentário